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Adeus 2020! E Goiás insiste na execução do hino que exalta o imperialismo

Atualizado: Jan 2

A retrospectiva 2020 não nos traz boas recordações. Destaque para a paixão do Governo do Estado pelo hino imperialista de Goiás


Dezembro 31, 2020

Bandeira de Goiás


Por Silvana Marta


O ano de 2020 está acabando. Ainda bem! Marcado pela pandemia do novo coronavírus quando milhares de vidas foram ceifadas, fica a imagem triste de um presidente (Jair Bolsonaro) que insiste em levar o povo brasileiro à morte, não só por suas ações de governo mas pelo seu negacionismo expressado nas aglomerações que promove em glória de si mesmo, tendo transmitido a doença, pessoalmente, pelo não uso da máscara, a outras milhares de pessoas, ainda que por elas tenha sido aplaudido.

Outro destaque foi para o feminicidio e racismo no Brasil. É claro que promovidos com o apoio do nosso fascista mor, Jair Bolsonaro, propulsor da propagação do ódio pelo nosso país.


Amor por Goiás


Mas o ano de 2020 tocou literalmente de um modo especial pela execução reiterada do hino de Goiás, que exalta o imperialismo, uma vez que é ofensivo para minorias étnicas alé de exaltar figuras ligadas à escravidão e destruição das matas virgens, essenciais para a manutenção de um ecossistema saudável.

Por aqui, o hino de Goiás prevaleceu. Ele ressurgiu imponente e robusto pelas mãos do governador Ronaldo Caiado que fez questão de entoá-lo em todo e qualquer evento oficial: lá estava a sonoplastia tocando o hino que exalta, antes de tudo, a Cidade de Goiás, berço da família Caiado.

Apesar de se auto-intitularem antiescravistas, é de conhecimento público e notório que a família tinha muitos escravos.

Detalhes à parte, o hino relata um momento histórico em que o progresso 'lavou' o estado - historicamente fiel ao que aconteceu, quando relata que o Bandeirante botou fogo nas águas do rio, trazendo destruição não só à natureza mas aos povos nativos que habitavam as terras de 'Goyas'. A retórica entre as belezas das matas de cerrado e rios do estado e o agronegócio não fecha. Fala de poesia que mascara o massacre indígena promovido pela família Caiado, beneficiária de uma sesmarias doada pela coroa portuguesa e da tomada das terras brasileiras por um Caiado em busca de terras, riquezas e glórias.

Conseguiu: Terra querida, fruto do massacre imperialista.

O governador Ronaldo Caiado tem insistido no tema, dizendo que Goiás é o melhor dos estados e que nossas belezas não perdem para nenhum outro estado do Brasil! Mas essa construção não se deu tão simples assim - é fruto de uma campanha publicitária muito bem elaborada. Por isso é bom não esquecer que esta campanha publicitária tem autoria: foi devidamente concebida por Silvio Quirino, dono deste site, e que emplacou uma campanha que acertou em cheio o coração dos goianos: “Amor por Goiás”, que aliás, foi apropriada pelo governador sem os devidos créditos.

As pessoas costumam dizer que todos os políticos são iguais: acham que as pessoas lhe devem obrigação, como se fossem seus súditos. Outros dizem que a família Caiado é assim mesmo: passam o rodo sem dó nem piedade. Triste!

A quem honra, honra! Salve Silvio Quirino!

Os comentários no You Tube atestam que brasileiros de todos os cantos se encantam com a música do nosso hino mas não atentam muito para a letra: “Sou paulista mas esse hino é lindo demais! Parabéns aos goianos” (Filipi Carvalho).

O hino de Goiás já passou por uma repaginada em 2001, mas ainda precisa ser aprimorado. Do jeito que é entoado, traz vergonha ao povo dessa terra que infelizmente não entendeu que o imperialismo escravizou e matou milhares de negros e nativos, os verdadeiros donos dessas terras.


O massacre aos símbolos imperialistas nos EUA


Nos Estados Unidos, uma onda por parte de manifestantes antirracistas está derrubando estátuas de Cristóvão colombo por todo o país após a morte de George Floyd.

Essas estátuas que estão caindo na América simbolizam o passado imperialista do país, considerado ofensivo para minorias étnicas, além daqueles que representam figuras ligadas à escravidão e ao massacre de indígenas.

Em Richmond, Virginia, um grupo derrubou a estátua de Colombo que ficava no parque Byrd. As pessoas enrolaram o monumento em uma bandeira, à qual atearam fogo, e o jogaram dentro de um lago. Já em Boston, Massachusetts, uma estátua do navegador foi decapitada.

Uma estátua do ex-presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln (1809-1865) com um escravo recém liberto foi retirada de um parque em Boston ainda esta semana, na 3ª feira (29/12/2020). A figura mostrava o político, de pé e vestido, com uma cópia da Proclamação da Emancipação – documento que acabou com a escravidão no país – e um escravo com poucas roupas, de joelhos aos seus pés.

A prefeitura da cidade cumpriu decisão do Comissão de Arte de Boston, que votou pela retirada em junho. Segundo o porta-voz do prefeito Marty Walsh disse à CNN, o órgão estava feliz com a retirada e concordava com a população de que ela deveria ser levada para um lugar onde sua história e contexto pudessem ser melhor explicados.

“A decisão pela remoção constata o papel da estátua em perpetuar preconceitos prejudiciais e em obscurecer o papel dos negros americanos na formação da luta da nação por liberdade.”

A retirada da estátua segue uma onde de atos semelhantes ao redor do mundo, que ganhou força com marchas e protestos antirracistas depois da morte do norte-americano George Floyd asfixiado pela polícia no começo do ano.

Em junho, o Museu de História Natural de Nova York anunciou a remoção da estátua de Theodore Roosevelt (1858-1919), ex-presidente dos EUA (1901-1909), da entrada principal do prédio. Ativistas diziam que o monumento simboliza a glorificação do racismo e do colonialismo no país.


Europa


Já na Europa, na esteira dos mesmos protestos, o movimento se repetiu: estátuas do rei Leopoldo 2º da Bélgica, em Antuérpia, e de Robert Milligan, em Londres, foram retiradas do espaço público.

Na Antuérpia, a decisão de remover o monumento em homenagem a Leopoldo 2º foi do Legislativo local. Outras estátuas em homenagem ao monarca já tinham sido alvo de manifestantes na última semana.

A estátua foi levada para o Museu de Esculturas ao Ar Livre da cidade de Middelheim para avaliação de danos e as autoridades locais não esclareceram se a peça seria devolvida ao seu local original.

Já o monumento em homenagem a Robert Milligan, que ficava em frente ao Museu das Docas de Londres, teve apoio da instituição para ser retirado. Segundo o Museu, a retirada do estátua de Milligan é em razão da sua ligação com violência e exploração coloniais.

A retirada das estátuas pode evitar uma cena como de Bristol, na Inglaterra, quando manifestantes derrubaram a estátua do político inglês Edward Colston e jogaram em um rio da cidade. Ele foi traficante de escravos e membro do Parlamento britânico no século 17.


Brasil


A letargia ainda toma conta do povo goiano e brasileiro. E vem do Governo de Goiás, quando Ronaldo Caiado insiste em exaltar o imperialismo através da execução do hino escravagista e racista de Goiás. Além de botar fogo no rio, num anúncio de destruição trazido pelo Bandeirante Caiado, este ainda expulsa o índio vermelho, numa referência à sua etnia, que foge assustado para salvar a sua vida, enquanto o Anhanguera tira o ouro na bateia para enriquecer o império português arrancando de nossas águas sua riqueza pela exploração imperialista enquanto o Brasil foi colônia de Portugal. Nesse contexto, surge Vila Boa, que já mudou de nome em nome de um fôlego para a cidade. Tá certo!

Não há convergência entre cerrado, indústria, agronegócio. Um tem que acabar para o outro prevalecer. José Mendonça Teles até que tentou poetizar a tragédia, mas ela ainda está ali bem viva no hino que entoamos. Além de preconceituosa, a colheita das mãos operárias serve apenas aos interesses da classe dominante, sem divisão da riqueza produzida no estado.


Não tem trégua. Horrível a exaltação. O hino precisa ser repaginado urgentemente. Se já o foi uma vez, não custa ser novamente. Por hora, fica a referência imperialista do governador Ronaldo Caiado e a sua exaltação aos dias de glória de sua família contra o povo goiano, seus nativos e mão de obra escravagista, de conteúdo racista.


"Vermelho, de ouro assustado

Foge o índio na sua canoa

Anhanguera bateia o tempo"


Aqui o hino de Goiás exalta o extermínio do povo indígena do estado, além de se referir à sua cor de maneira racista (vermelho)) e ao final exlata do genoc[idio promovido pelo Anhanguera.


O Hino do estado de Goiás (Brasil) foi introduzido em 1919 sendo posteriormente alterado novamente em 2001. O hino original de 1919, com letra de Antônio Eusébio de Abreu (pai do grande Antônio Americano do Brasil), e música de Custódio Fernandes Góis, foi promulgado pela Lei estadual n. 650, de 30 de julho de 1919. Em 2001 o hino foi revogado por uma nova versão, de autoria de José Mendonça Teles e melodia de Joaquim Jayme, sancionada pela Lei estadual nº 13.907 de 21 de setembro de 2001.


Hino de Goiás


Santuário da Serra Dourada

Natureza dormindo no cio

Anhanguera, malícia e magia

Bota fogo nas águas do rio


Vermelho, de ouro assustado

Foge o índio na sua canoa

Anhanguera bateia o tempo

Levanta, arraial Vila Boa!


Terra Querida

Fruto da vida

Recanto da Paz

Cantemos aos céus

Regência de Deus

Louvor, louvor a Goiás!


A cortina se abre nos olhos

Outro tempo agora nos traz

É Goiânia, sonho e esperança

É Brasília pulsando em Goiás!


O cerrado, os campos e as matas

A indústria, gado, cereais

Nossos jovens tecendo o futuro

Poesia maior de Goiás!


Terra Querida

Fruto da vida

Recanto da Paz

Cantemos aos céus

Regência de Deus

Louvor, louvor a Goiás!


A colheita nas mãos operárias

Benze a terra, minérios e mais

O Araguaia dentro dos olhos

Eu me perco de amor por Goiás!


Terra Querida

Fruto da vida

Recanto da Paz

Cantemos aos céus

Regência de Deus

Louvor, louvor a Goiás


Confira o Hino de Goiás pela voz do cantor goiano Marcelo Barra:



Sinais dos tempos:


Foi o que aconteceu no Rio Grande do Sul, quando um vereador recém-empossado negro se recusou a cantar o hino racista do Estado.

A vereadora tentou passar uma descompostura em Matheus Gomes recém eleito vereador por Porto Alegre e seus colegas de bancada que não se levantaram durante a execução do hino e acabou levando uma invertida quando o vereador pediu uma questão de ordem e afirmou:

“Nós, como bancada negra, pela primeira vez na história da Câmara de Vereadores, talvez a maioria daqui que já exerceram outros mandatos não estejam acostumados com a nossa presença, não temos obrigação nenhuma de cantar um verso que diz: ‘povo que não tem virtude acaba por ser escravo’”, disse.

Matheus disse ainda ser historiador, “faço mestrado na UFRGS, a nossa instituição, a Universidade Federal, é uma das mais importantes do nosso estado, fruto da luta de muitos de nós aqui, já reconhece a não obrigatoriedade das pessoas terem que tocar o hino devido a esse conteúdo racista dele em solenidades oficiais e acho que seria muito importante a Câmara de Porto Alegre também começar a se perguntar sobre esse tema”.


! #ChegaDeHinoRacista pic.twitter.com/vvquzZFWwB

— Matheus Gomes (@matheuspggomes) January 2, 2021



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