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Ambição e traição na disputa pela prefeitura de Goiânia

Eleito com o apoio de Maguito Vilela, Vanderlan Cardoso surpreendeu os correligionários ao se lançar candidato à prefeitura de Goiânia



Novembro 29, 2020

O senador Vanderlan Cardoso e o ex-senador Maguito Vilela disputam o segundo turno para prefeitura de Goiânia


Por Silvana Marta

Colunista do Estado de Goiás

Artigo de Opinião


Vandelan Cardoso, senador da república e empresário do ramo de alimentos, teve uma carreira política marcada por vitórias e derrotas.

Em 2004, Vanderlan se candidatou à prefeitura de Senador Canedo e foi eleito com mais de 57% dos votos válidos. Foi reeleito em 2008 com 80% dos votos. Em 2010, disputou o Governo de Goiás e ficou em terceiro lugar. Em 2016, se candidatou à prefeitura de Goiânia, mas foi derrotado por Iris Rezende (PMDB) no segundo turno.

Em 2018 Goiás escolheu dois nomes para o Senado Federal, entre eles, o de Vanderlan Cardoso (que aliás foi o mais votado com 1.729.637 votos, o equivalente a 31,42% dos votos válidos) e Jorge Kajuru (eleito com 1.513.587 votos, o equivalente a 28,29% dos votos válidos).

Hoje novamente Vanderlan disputa a prefeitura de Goiânia e tudo indica que sairá mais uma vez derrotado ao pleito. As pesquisas apontam 59% para Maguito Vilela (MDB) e 41% para Vanderlan Cardoso (PSD).


Golpe sobre golpe


Maguito entrou na campanha em virtude da ‘desistência’ do bem avaliado prefeito Iris Rezende (que comandou a capital de 1965 a 1969, quando foi cassado pela ditadura; de 2005 a 2010 e desde 2017) à reeleição.

Iris anunciou sua desistência em tom baixo, em um hotel de luxo da Capital, com evento para poucas pessoas.

Mas quem o conhece sabe que ele só confirmava sua candidatura após o tão famoso ‘Volta Iris’.

Desta vez, não colou.

Diante do silêncio da liderança Diretório Estadual do partido (que é comandado pelos Vilelas) unido ao fato de Iris ter idade avançada (87 anos), não sobrou outra alternativa ao decano emedebista senão sua desistência, que foi homologada pelo partido.

Foi quando a vaga se abriu para Maguito Vilela se candidatar.

O que não se imaginava era que o senador Vanderlan Cardoso, que Maguito apoiou em 2018 (para não dizer que o elegeu) viria para a disputar o mesmo cargo cobiçado por este: a prefeitura de Goiânia.

Vanderlan Cardoso se torna então o algoz de Maguito Vilela.

Muitos assessores de Maguito estavam lotados em Brasília no gabinete de Vanderlan Cardoso e acabaram pedindo demissão diante de sua inesperada candidatura, como o fez Euler de Morais.

A manutenção do poder na Capital pelo MDB fora das mãos de Iris Rezende, aliado de Ronaldo Caiado, significa passar o colégio eleitoral goianiense aos Vilelas que pretendem disputar o governo de Goiás em 2022 com Daniel, filho de Maguito.


Defesa do Senador Chico Rodrigues


Um episódio especificamente foi primordial para que o candidato Vanderlan Cardoso despencasse nas pesquisas de opinião. Vanderlan foi alvo de polêmica em plena campanha, quando em 16 de outubro, às vésperas das eleições, o site O Antagonista publicou um áudio enviado pelo parlamentar em um grupo de senadores. Nele Vanderlan defende o sanador Chido Rodrigues (DEM RR) que foi flagrado pela Polícia Federal em sua residência com R$ 33,1 mil na cueca.

O senador Vanderlan Cardoso (PSD), que é candidato à Prefeitura de Goiânia, gravou um áudio no grupo de senadores dizendo que não há “nada que desabone” Chico Rodrigues, que escondeu dinheiro nas nádegas.

O senador apagou o áudio logo em seguida, mas O Antagonista conseguiu uma cópia da gravação.

No mesmo áudio Vanderlan critica a decisão de Luís Roberto Barroso, do STF, de afastar Chico, chamando-a de “absurda”.“Não podemos aceitar de forma alguma.” O senador de Goiás e candidato nas eleições municipais afirma que “nosso amigo e companheiro de todas as horas” precisa ter direito “a se explicar”. Vanderlan fala “em momento difícil” para Chico e pede “uma chance”. E finaliza: “Espero que o Davi tome providências e dê o amparo legal ao nosso amigo e companheiro.”

Outro fator decisivo para o atual quadro eleitoral em Goiânia, a maior capital do Centro-Oeste brasileiro, foi a doença que acometeu o candidato Maguito.


A Covid19 de Maguito


As pesquisas indicavam que o nome de Maguito já não era mais lembrado pela maioria dos goianienses. Já o nome de Cardoso estava fresco na cabeça do povo. O que não se esperava é que a Covid19 jogasse contra Vanderlan.

À medida que o candidato Maguito Vilela foi piorando, seu quadro de saúde virou o assunto mais comentado e a eleição municipal passou a girar em torno dos boletins médicos do paciente-candidato.


Paciente sendo tratado com o aparelho ECMO, o mesmo usado por Maguito Vilela


Internação


O emedebista foi internado no Hospital Albert Einstein dia 27 de outubro e foi intubado pela primeira vez três dias após chegar a São Paulo, quando a equipe médica optou pelo uso de ventilação mecânica nos pulmões que apresentavam quase 75% de inflamação. Uma semana depois, no dia 8 de novembro, ele foi desintubado após uma melhora significativa da infecção pulmonar.

Acometido por uma infecção bacteriana, Maguito piorou a inflamação pulmonar e teve que ser submetido às pressas a uma broncoscopia. No dia 17 de novembro, foi iniciado tratamento dialítico seguido de instalação de ECMO (Oxigenação Por Membrana Extracorpórea) para possibilitar ventilação protetora pulmonar. O aparelho funciona como um pulmão e um coração fora do corpo e é utilizado apenas para casos muito graves de Covid19.

Ele continua sedado, agora com uma traqueostomia em ventilação mecânica, fazendo hemodiálise e com suporte da máquina ECMO, que imita a função natural dos pulmões e do coração.

Hoje, o quase prefeito de Goiânia Maguito Vilela não sabe que é favorito porque está intubado na UTI.

Se a ambição levou Maguito a se candidatar a prefeito de Goiânia na altura dos seus 71 anos, tendo sido governador, senador e prefeito de Aparecida de Goiânia por duas vezes, Vanderlan Cardoso, por sua vez, passa para a história como o algoz de Maguito Vilela.

A manter-se a tendência anunciada pelas pesquisas de opinião e pelos boletins médicos, nessa disputa pelo poder, nenhum dos dois sairá vitorioso.



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