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Anselmo Pereira se reelege e afirma não saber se Maguito assume dia 1º

Atualizado: 5 de Dez de 2020

Eleito para sua 10ª legislatura, foi o 10º mais bem votado dentre os 35 vereadores e atribui o seu sucesso nas urnas ao trabalho incansável e à atenção aos eleitores


Dezembro 04, 2020

Anselmo Pereira vereador há 40 anos consecutivos por Goiânia


Por Silvana Marta


Entrevista



Anselmo Pereira teve que ser emancipado aos 18 anos para se candidatar a vereador já que quando concorreu pela primeira vez às eleições, em 1977, a maioridade se dava aos 21 anos. Venceu e desde que foi eleito nunca mais perdeu nenhuma eleição para vereador. Atualmente fazem 40 anos consecutivos que pertence ao legislativo goianiense, tendo sido o 10º mais votado dentre os 35 vereadores que assumirão seus postos na Câmara Municipal de Goiânia em 01/01/2021. Eleito para o seu 10 mandato consecutivo, Anselmo terá que trabalhar em uma Câmara Legislativa eclética, onde os 35 vereadores eleitos pertencem a 21 partidos diferentes, o que demonstra a diversidade de ideologias que regerão os caminhos de nossa cidade daqui para frente.

A situação da maior capital do Centro-Oeste goiano é sui generis em toda a história, causada pela incerteza sobre o futuro da administração do executivo municipal, já que o prefeito eleito encontra-se hospitalizado em São Paulo entre a vida e a morte.

Maguito Vilela está entubado e não sabe oficialmente que venceu as eleições com 52% dos votos, apenas 5% de frente em relação ao segundo colocado, em uma cidade que em termos de abstenção foi a maior do país, superando os votos do prefeito eleito da capital: Maguito teve 277.497 votos e as abstenções foram de 356.949, o que equivale a 36,75% do eleitorado, tendo superado cidades como São Paulo (30,81%), Rio de Janeiro (35,45%) e Porto Alegre (32,76%).

É dentro deste quadro que Anselmo Pereira assume mais uma vez uma cadeira na Câmara Municipal. Como veterano e mais experiente dentre os vereadores eleitos, Anselmo terá que conduzir o legislativo goianiense a um bom termo.

Confira a entrevista exclusiva do vereador reeleito Anselmo Pereira ao Estado de Goiás:


EGo: A que o senhor atribui a sua vitória pela 10ª vez consecutiva ao pleito de vereador?


Anselmo Pereira: Desde que fui eleito em 1977, nunca deixei de ser político nem um dia sequer. Enveredei por esse caminho procurando sempre dar uma atenção especial aos eleitores dos bairros e da comunidade, dos segmentos organizados e o mais importante, às causas que surgem a todo o momento no meio da sociedade. É isso que faz a gente ter uma longevidade na nossa vida pública, ou seja, se adaptar a cada momento a uma nova realidade, ao momento histórico que você está vivendo. O político não pode viver nem do passado e muito menos pensar em idealizar um futuro que é utópico. A política não aceita viver do passado e nem de utopia. Então é preciso racionalizar essa equação entre o que foi feito, o que está sendo feito e aquilo que será preciso fazer.


EGo: Devido à pandemia, o senhor parou de trabalhar na quarentena às vésperas das eleições?


Anselmo Pereira: Não parei nenhum minuto. Como qualquer cidadão desta cidade, eu estava sujeito a contrair o vírus da Covid-19, pois eu andava 10 vezes mais do que qualquer cidadão comum. Descobri que tinha contraído o vírus por um acaso, fazendo exames de rotina. Me isolei apenas do aspecto de não estar em contato com as pessoas, mas durante esse período de isolamento de 15 dias eu trabalhei até mais de forma remota do que presencialmente, fazendo sessões. Durante o meu isolamento eu realizei três audiências públicas durante a pandemia de forma remota por teleconferência, discutindo temas da cidade como o problema dos Pit Dogs ou da criação de mais pontos de táxis em Goiânia, o que foi um sucesso. É isso que faz que nós sejamos ainda mais acreditados pela população.


EGo: A Câmara Municipal de Goiânia renovou suas cadeiras em 60%. Em meio a tantos novatos, a sua experiência fará a diferença?


Anselmo Pereira: Tudo na vida é o meio termo. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A minha função na Câmara neste meu 10º mandato é precipuamente fazer com que aqueles que entram com a vontade de realizar saibam que estão sujeitos a uma série de regras não só do regimento interno da Câmara Municipal de Goiânia mas das leis orgânicas do município. Eles não podem legislar por conta própria, como por exemplo, criar matéria financeira. Aí eles começam a sentir que são limitados. Também não podem criar matérias que sejam de iniciativa do executivo, e aí começam a se frustrar. O que eu pretendo é ensinar como eles contornam tudo isso observando a Lei Orgânica do Município e ao mesmo tempo o Regimento Interno da Casa Legislativa, criando alternativas para resolver a sua pretensão de servir àquela causa. É muito importante o cuidado para que a casa não perca tempo criando leis inconstitucionais que irão ser vetadas e que não irão levar a cidade à lugar algum, para que amanhã esses novos vereadores não sejam acusados de terem enganado seus eleitores com esse tipo de atitude. Essa relação é muito perigosa, já que o vereador pode criar no eleitor, na comunidade e no seguimento organizado uma expectativa falsa, às vezes sem ele querer. Por isso é importante se ter uma pessoa experiente que oriente que diga: não faça isso, mas dessa maneira.


EGo: Como a Câmara Municipal trabalhará com vereadores de 21 partidos diferentes, com ideologias, forças e interesses diferentes?


Anselmo Pereira: A medida que a legislatura estiver em andamento, essas diferentes forças irão se encontrando no propósito maior de servir à cidade. Nesse aspecto eu entro para dar as orientações necessárias. Há outros vereadores com muita experiência. Esta é a convergência que vai acontecer com a Câmara. À medida que o processo legislativo for caminhando, a medida em que os novos vereadores forem aprendendo o que é bom em termos de requerimento, à medida que forem entendendo qual é a lei mais benéfica e exequível para a comunidade, tudo caminhará bem.


EGo: O senhor vai assumir em um momento terrível para a capital goianiense, já que não se sabe quem assumirá o comando da cidade, se o vice ou o prefeito, por ele estar na UTI e entubado. Qual será a sua contribuição como o mais experiente dentre os eleitos nesse momento em que a cidade parece estar perdida?


Anselmo Pereira: A primeira coisa é corresponder aos anseios da comunidade que me elegeu. Em meus 40 anos de vida pública, nunca participei de uma eleição em que o candidato estivesse ausente. E não somente ausente, mais do que isso, adormecido, sem poder sequer se manifestar. Eu sei que a primeira vez que Maguito soube que estava eleito foi há poucos dias, e chegou a chorar. Significa que ele começa a assimilar uma realidade que ele irá apontar para frente. Maguito irá assumir dia 1º de janeiro? Não sei.


EGo: Neste caso o vice-prefeito irá assumir?


Anselmo Pereira: Se o vice-prefeito, Rogério Cruz assumir, não tem problema. Ele vem da melhor escola que fizeram os homens públicos deste país, que é a escola do legislativo municipal. O legislativo municipal é a escola mais importante de um parlamentar. Aquele que passa por uma Câmara Municipal está apto a exercer qualquer atividade dentro da administração pública. Neste momento a Câmara tem que ter o papel preponderante de estabelecer, ao meu entender, uma cumplicidade total para auxiliar o prefeito que pode assumir de forma ainda em convalescença ou o próprio vice. E se o vice assumir momentaneamente até o retorno do titular, aí sim que a Câmara tem que ser cúmplice de todas as ações em uma parceria total entre Poder Executivo e Poder Legislativo, porque essa expectativa é que o povo quer. O mais importante neste momento é a cumplicidade da Câmara no início do processo legislativo, inclusive para a formatação do governo, isso porque depois da constituição de 1988 o poder mais forte é o legislativo, porque ele decide tudo: cassa prefeitos e aprova as leis. O prefeito não cria normativas para definir a vida da cidade. Quem cria essas normativas são os vereadores. O prefeito manda um anteprojeto, mas é a Câmara que decide a vida da cidade.


EGo: Diante do atual quadro, a Câmara Municipal toma uma relevância maior?


Anselmo Pereira: Sim. Veja bem: quem pode assumir a prefeitura de Goiânia hoje é o vice, Rogério Cruz, que é vereador. Se o vice assumir, a Câmara já assume sendo o vice dele. Então veja o papel fundamental da Câmara Municipal de Goiânia como equilibradora de forças para não frustrar a sociedade que ficou duvidosa - tanto que em 48 horas nos perdemos mais de 30% de votos porque a sociedade ficou em dúvida em quem ela estaria votando: se no Maguito ou no vice. Essa perda em um lapso temporal pequeno de 48 horas foi muito perigosa, e isso reflete na nossa responsabilidade de não frustrar o eleitor que decidiu a eleição com 5% de frente em favor de Maguito Vilela.


EGo: O senhor pensa em ser presidente da Câmara neste momento de incertezas pelo qual passam os goianienses?


Anselmo Pereira: Eu já fui tudo na Câmara: porteiro, abridor de portas, mecânico, tenho até uma fotografia minha aguando os jardins daquela casa. Já presidi todas as comissões além de ter sido presidente e vice-presidente, de modo que não tenho vaidade pelo poder, mas entendo que preciso estar na mesa diretora. Após as eleições, já participei de 6 reuniões com os novos vereadores além de estar formatando um grupo para administrar a Câmara Municipal. Esses vereadores estão se reunindo semanalmente. O que queremos é uma Câmara propositiva para mudar essa visão que o eleitor tem do poder legislativo. Precisamos mostrar uma Câmara pronta a preencher os gargalos que o povo tanto nos cobra: transporte público, saúde ambulatorial deficitária e acanhada, a abertura de mais vagas em creches para crianças de 0 a 6 anos e meio para que as mães e pais possam trabalhar e estudar, e até mesmo a questão da segurança, porque o poder municipal tem que observar o que a constituição diz: ‘a segurança é um dever de todos’, de modo que o meu trabalho nesta gestão é estar na mesa para contribuir com o equilíbrio daqueles que irão administrar. Não importa qual cargo eu exerça na mesa diretora. O que importa é que eu esteja lá e não me omita de colocar a minha experiência a serviço de todos os goianienses.


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