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Candomblé em dia de Erê

No dia da criança, terreiros de Candomblé festejam Erê


Outubro 13, 2020

Asé de Iya Mariléia de Òsùmàrè em dia de festa à Erê


Por Silvana Marta


O Candomblé é uma religião afro-brasileira derivada de cultos tradicionais africanos na qual há crença em um Ser Supremo ( Olorum, Mawu ou Nzambi, dependendo da nação) e culto dirigido a forças da natureza personificadas na forma de ancestrais divinizados: orixás, voduns e inquices, dependendo da nação.

Cada culto tem um orixá em evidência. As cerimônias são rituais afro-brasileiros com atabaques, muita cantoria e mesa farta.


De origem totêmica e familiar, é a religião declarada de 0,3% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE. Também é possível encontrar praticantes em outros países como Uruguai, Argentina Áustria, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal e Espanha. Inicialmente reprimido pela sociedade escravocrata, pela Igreja Católica, pelo Estado e rejeitado pela sociedade.


Fazenda de escravos do século XVII em São Paulo


Patrimônio Cultural do Brasil

O candomblé (como outros cultos de matriz africana), "formavam, até meados do século XX, uma espécie de instituição de resistência cultural, primeiramente dos africanos, e depois dos afro-descendentes [...] muita coisa mudou, fazendo dessas religiões organizações de culto desprendidas das amarras étnicas, raciais, geográficas e de classes sociais". Dessa forma, os elementos culturais que compõem o candomblé são, na atualidade, uma parte integrante da cultura do folclore brasileiros.

Quem assiste uma cerimônia de Erê, entidade cultuada pelo candomblé, se sente diante dos terreiros das grandes fazendas de açúcar e café (século XVII até final do Século XVIII).

Se você entende um pouco de história, saberá que os escravos trabalhavam muito, não tinham direito a salário, repouso semanal ou férias, Por isso, eles aproveitavam a folga de noite, quando terminavam o serviço duro, para se divertirem um pouco.

Os escravos não podiam adorar seus deuses africanos pelo preconceito que lhes era imposto pela cultura européia trazida pelos missionários luteranos que catequizaram também os estados unidos. Assim, os deuses e rituais africanos não eram muito bem aceitos no Brasil.

Entretanto, não se mata a cultura, por mais que que os ignorantes o queiram fazer.

Nas noites nas senzalas, eis que surgia um canto africano dos porões dos casarões e por todo o terreiro da casa grande. Os senhores escravocratas não podiam conter.

Era o canto dos deuses africanos, que entoavam o seu grito de liberdade. Aquele era o único momento de lazer dos escravos trazidos da áfrica para o Brasil.

O Brasil foi o país que mais importou mão de obra escrava africana, para trabalhar nas plantações de café e açúcar: 4,86 milhões contra 388.746 que foram para os Estados Unidos.


Cerimônia à Erê

Erê reside no ponto exato entre a consciência da pessoa e a inconsciência do orixá. É por meio do Erê que o Orixá expressa sua vontade, que o noviço aprende as coisas fundamentais do candomblé, como as danças e os ritos específicos de seu Orixá.

A palavra erê vem do iorubá. Erê, que significa "brincar". Daí a expressão siré que significa "fazer brincadeiras". A palavra iré em iorubá significa "boa ação ou favor".

Por isso no dia das crianças (12/10) se comemora o dia de Erê.

Durante o ritual de iniciação, o Erê é de suma importância pois é o Erê que muitas das vezes trará as várias mensagens do orixá do recém-iniciado.

Como ele é uma criança, a cerimônia é muito alegre.

De um modo geral, as cerimônias de Candomblé são alegres. A música é imprescindível, com atabaques que marcam o ritmo frenético das músicas ao solo das vozes que remetem ao canto dos escravos em seus poucos momentos de descontração.

Entretanto, quem tem consciência cultural, sabe que a cena remete aos cantos tristes dos escravos como um grito que ecoa para liberdade.

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Mesa farta


Segue-se uma mesa farta para festejar a vida. É claro que nos tempos das Casas Grandes e das Senzalas não havia muita comida aos escravos. Muitos deles morreram trabalhando nos canaviais, cafezais ou engenhos de cana-de açúcar.

Hoje, entretanto, as cerimônias são regadas à mesa farta em celebração da vida e aos orixás outrora africanos, agora brasileiros.

A intolerância religiosa no Brasil está presente e faz coro à violência contra a mulher ou ao negro e pobre, que é morto apenas por sua cor e por habitar na periferia das cidades brasileiras.

Preconceito e Intolerância

Quem tem visão cultural, celebra o Candomblé e o respeita.

A religião afro-brasileira é fortemente combatida e sofre preconceito por denominações protestantes, mas é 'tolerada' pela Igreja Católica em razão do respeito que a mesma tem a ancestralidade, bem como a séculos de sincretismo religioso. Isso mostra que o culto dos negros e suas tradições ainda carregam o preconceito derivado da condição escravocrata e de dominação sofrida pelos africanos trazidos ao Brasil em navios negreiros. A subalternidade rompe séculos e a raça negra ainda é fonte de preconceito social.

Toda cultura precisa de proteção.

Marileia Lasprilla presente!

Que não haja demonização da cultura africana ou afro-brasileira e que os seus deuses e rituais sejam respeitados.


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