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Em um intervalo de 48 hs PM/GO mata uma confeiteira e um policial penal

Atualizado: Out 13

Goiás é o único estado do Brasil que não divulga número de mortos pela Polícia Militar


Outubro 12, 2020

A confeiteira Fabiana Matos morta pela PM/GO

Da redação


Fabiana Matos Rodrigues, 23 anos, confeiteira, foi alvejada e morreu no local do crime. Prima da vítima, uma adolescente de 16 anos ficou ferida. Um garoto de 6 anos que também estava no carro viu tudo. Ele era filho de Fabiana que seguia para o trabalho em um carro emprestado pelo pai mas não tinha carteira de motorista. Se assustou e não parou na abordagem. O fato aconteceu em Inhumas, cidade do entorno de Goiânia.


O policial penal Weder Nunes de Paula, 53 anos, estava em um bar. Se envolveu em uma discussão e acabou disparando contra uma pessoa, que foi atingida na perna. Em seguida o Grupamento de Repreensão rápida ostensiva (GIRO) foi acionado e, sem autorização judicial, entrou no apartamento de Weder Nunes e o matou ali mesmo na sala de estar. O fato aconteceu em no Setor Leste Vila Nova.


Obviamente Weder Nunes se assustou. A defesa de um policial com treinamento é colocar a mão na arma. É automático. Sua tentativa de defesa foi sua sentença de morte.


Para se defender, a corporação militar conta muitas histórias, como a de que ‘no carro em que eles estavam foram encontrados 5 kg de maconha e uma arma’ (G1).


Aliás, a Polícia Militar montou uma equipe de comunicação com blogs especializados em espalharem notícias favoráveis à PM goiana que são acompanhados por milhares seguidores. Eles são especialistas em inventarem histórias para acobertarem a truculência das ações policiais em serviço e a incompetência para lidar com civis.


Suposta droga encontrada pela PM/GO no carro da confeiteira Fabiana Matos


A família de Fabiana contesta veementemente. Ela era uma trabalhadora honesta a caminho do trabalho no carro do pai, sem carteira de habilitação. ‘O pai emprestou para ela ir trabalhar’.


“Isso foi erro da PM. Elas não tinham envolvimento com droga, não tinham arma. Elas vendiam bolo de pote. E mesmo que tivesse, a Fabiana estava com o filho no carro. Ela não ia fazer nada para colocar ele em risco”, disse o tio.


Weder Nunes era apenas um policial possivelmente embriagado que já havia chegado em casa e estava à disposição da justiça.


Weder Nunes e o IML na porta de seu prédio residencial


Não bastasse o fim trágico que tiveram, as vítimas e suas famílias ficam difamados, com a imagem manchada, vez que a Polícia Militar divulga más informações a respeito dos mortos. A imagem de Fabiana, segundo a PM, era de traficante e a de Weder de policial perigoso e desequilibrado.


Goiás é o único estado da federação que não divulga o número de pessoas mortas pela polícia. Muitos deles bandidos, já outros tantos inocentes.


Os policiais militares de Goiás são truculentos. O extermínio em Goiás começou nos tempos do ex-governador Marconi Perillo segundo denuncia a Anistia Internacional, reiteradamente:


“A Anistia Internacional Brasil observa com preocupação as notícias veiculadas na imprensa a respeito da exclusão dos dados sobre violência policial do balanço anual sobre violações de direitos humanos, relatório disponibilizado pelo Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos. A exclusão desses dados torna o sistema de monitoramento do governo federal sobre o tema incompleto e ineficaz para o planejamento da segurança pública e para a construção de ferramentas positivas para combater violações de direitos humanos cometidos por policiais. São gravíssimas as omissões desses dados. Esconder dados e fatos não é a resposta adequada e que esperamos para um problema como a violência policial. Exigimos transparência para superarmos esse problema que representa graves violações de direitos humanos no Brasil.” (06/2020).


A Anistia Internacional divulgou que em 2019, 5.804 pessoas foram mortas por agentes do estado, um aumento de 1,5% em relação ao ano anterior, isso sem contar os dados de Goiás.


Anotem aí: Daqui para frente, a polícia militar de Goiás vai ter uma intercorrência por dia.


Já começou e não tem data para acabar.




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