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Enola Holmes: um filme leve cheio de pontos cruciais

Enola Holmes chegou à Netflix na última quarta-feira (23)


Enola Holmes é um filme sobre a irmã adolescente de Sherlock Holmes


Por Silvana Marta


Quem gosta de um cineminha em casa, com um bom roteiro e leveza no tema vai amar o filme Enola Holmes.

O filme traz todos os ingredientes que seguram a atenção do telespectador durante toda a sua exibição: ação, drama, comédia, dinheiro e belos protagonistas, todos muitos experientes, frisa-se.

A linda adolescente Alone, que ao contrário é Enola, é interpretada por Millie Bobby Brown, que também trabalha na série Stranger Things.

A história se passa no mesmo ambiente onde Sherlock Holmes, o famoso detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle, e por isso chama a atenção de milhares de fãs da literatura em todo o mundo.

Enola é esperta, rebelde, bonita e rica. Ela é irmã de Sherlock, famoso detetive da época e de Mycroft, um rico membro da elite inglesa, funcionário público do alto escalão que não quer mudanças na política da época.

O pano de fundo é a pós revolução industrial, momento de transição para novos processos de manufatura no período entre 1760 a algum momento entre 1820 e 1840.


Revolução Industrial


A Revolução Industrial foi considerada pelos historiadores como um período de grande avanço tecnológico, que ocorreu na segunda metade do século XVIII e que permitiu o desenvolvimento da indústria moderna. Esse desenvolvimento ocasionou severas transformações no processo produtivo (a maquinofatura substituiu a manufatura) e nas relações de trabalho, alteradas com a proletarização do trabalhador.

Esse processo, no entanto, era lento, pois estava sujeito às limitações do trabalho humano e também demandava uma melhor remuneração, uma vez que o trabalhador deveria ser especializado nessa atividade. Com o desenvolvimento das máquinas, o grosso da produção passou a ser realizado por elas, ou seja, não se fez mais necessário o trabalhador especializado, pois a máquina poderia ser manejada por uma mão de obra menos qualificada.

Isso gerou um aumento na produção, pois as máquinas produziam muito mais, e a grande disponibilidade de mão de obra – uma vez que qualquer um poderia realizar esse trabalho – resultou na desvalorização do trabalhador (o resultado prático disso foi a diminuição salarial). O historiador Hobsbawm exemplifica isso ao afirmar que o salário médio de um tecelão na cidade de Bolton, em 1795, era 33 xelins e, entre 1829 e 1834, esse salário foi reduzido para aproximadamente 5 e 6 xelins.

Além disso, esse trabalhador foi obrigado a aceitar uma jornada de trabalho extenuante que, em muitos casos, estendia-se por 16 horas por dia, com uma pausa de 30 minutos para o almoço. Não havia nenhum tipo de segurança no trabalho e, por isso, os acidentes eram comuns. Os trabalhadores que se acidentavam não recebiam pagamento dos patrões durante o tempo em que estivessem afastados.

Essa precarização – ou proletarização – contribuiu para o fortalecimento das organizações de trabalhadores, conhecidas no inglês como trade union. A precariedade do trabalho fez com que os trabalhadores, ao longo do século XIX, exigissem melhores condições de trabalho, como jornada reduzida e melhores salários.

Os dois grandes movimentos trabalhistas existentes na Inglaterra durante o século XIX foram o ludista e o cartista. Os ludistas atuaram no período de 1811-1816, e sua ação consistia em invadir fábricas para destruir o maquinário industrial. Os trabalhadores desse movimento afirmavam que as máquinas estavam roubando o emprego dos homens e, por isso, deveriam ser destruídas. Como seus integrantes foram intensamente perseguidos pelas autoridades britânicas, o movimento dos ludistas acabou enfraquecendo-se.

Os cartistas reivindicavam, por exemplo, o direito ao sufrágio universal masculino, ou seja, que todos os homens a partir de certa idade tivessem direito ao voto. Eles também demandavam representação para sua classe no parlamento inglês.

Ideias perigosas

Além de melhores condições para os trabalhadores, o movimento cartista, surgido na década de 1830, exigia direitos políticos, até então negados ao proletário.

O filme surge após esse período de propulsão política e econômica na Inglaterra. Sherlock Holmes, personagem de ficção da literatura britânica criado pelo médico e escritor Sir Arthur Conan Doyle é um investigador do final do século XIX e início do século XX.

A mãe de Enola Holmes interpretada pela atriz Helena Bonham Carter completa o núcleo familiar dos Holmes. A atriz veterana não aparece muito no filme, mas possui um papel essencial na criação dos ideais feministas de Enola e sugere que a criação diferente que deu aos filhos lhes garantiu sair do lugar comum para alcançarem destaque social em sua época. Seu objetivo era dar uma educação que permitiria que sua filha fosse mais livre que ela própria.

Com tantas ideias revolucionárias, não restou a mãe de Enola outra opção senão ‘desaparecer’ e levar avante suas ideias e atividades revolucionárias, o que faz dela uma eterna foragida da justiça e uma mulher ‘perigosa’.

Elenco de peso

O elenco repleto de talentos e gente famosa. Além de Brown e de Helena Bonham Carter, outros atores famosos também compõe o elenco, como Henry Cavill, famoso por ser o Super-Homem de 'O Homem de Aço' (2013), interpretando o detetive Sherlock Holmes, e Sam Clafin, de 'Como Eu Era Antes de Você' (2016), como Mycrof, o segundo irmão da menina.

A rebeldia como pano de fundo, os membros da realeza, o dinheiro dos protagonistas em um cenário de castelos e cortes supremas e a revolução social que se pretendeu alcançar com as atitudes do clã Holmes e das pessoas que eles protegem ou se envolvem fazem do filme uma boa escolha para momentos de lazer completos.

Vale a pena conferir!


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