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Indigenista brasileiro é morto por uma flecha em Rondônia

Apesar da vergonhosa política indigenista brasileira, povos indígenas isolados resistem na Amazônia



Acredita-se que a região amazônica seja o lar da maioria das tribos isoladas do mundo



Por Silvana Marta



O caso acontecido no último dia 9 de setembro no Brasil, há 500 km de Porto Velho, Rondônia, onde Rieli Franciscato, renomado indigenista brasileiro foi morto por uma flecha revela os misteriosos povos isolados na Floresta Amazônica, que estão sob risco crescente com as invasões de terra.

Este fato lembra o caso do missionário americano John Allen Chau, 27 anos, morto a flechadas no dia 16 de novembro de 2018 por aborígenes da ilha Sentinela do Norte, (no arquipélago Andaman e Nicobar, no leste da Índia).

A ilha de North Sentinel, situada no Índico, é proibida para visitantes. John Allen Chau, entretanto, ignorou a advertência, conforme relatou o "Sun". Ele desejava chegar ao local para apresentar o cristianismo aos indígenas. O corpo flechado de John Allen foi arrastado pelos indígenas com ajuda de uma corda presa ao pescoço e abandonado em uma praia. Pescadores viram o cadáver em North Sentinel, que faz parte do remoto arquipélago de Andamã e Nicobar, mas não puderam recuperá-lo.

O caso foi tratado pela polícia local como homicídio. Mas os indígenas não podem ser indiciados, já que não são imputáveis segundo as leis locais. Os pescadores que levaram John Allen à ilha foram detidos.


A morte do indigenista Rieli Franciscato



Rieli Franciscato era um dos maiores especialistas brasileiros em povos indígenas

O renomado especialista brasileiro em assuntos indígenas Rieli Franciscato foi atingido no peito por uma flecha. Ele seria declarado morto na chegada a um hospital local, minutos depois.

A flecha foi disparada por um grupo de indígenas brasileiros avistados nas proximidades de uma fazenda em Seringueiras, uma pequena cidade com menos de 13 mil habitantes em Rondônia - um dos nove Estados brasileiros pelos quais a Floresta Amazônica se espalha.

Fica nas profundezas da floresta tropical, a 500 km de distância do centro urbano mais próximo, a capital Porto Velho.

A cidade rural é um dos muitos assentamentos em torno de uma reserva indígena conhecida como Uru-Eu-Wau-Wau. É um local conhecido por ser habitado por nove povos diferentes - incluindo cinco grupos classificados como "isolados".

Pouco se sabe sobre eles - não se sabe nem o número de sua população ou mesmo que línguas falam, entretanto está claro que não querem contato com o mundo exterior. O grupo é descrito pela Funai como "os isolados do Cautário", em referência a um rio da região.

"Essas pessoas são sempre perseguidas por caçadores, madeireiros e fazendeiros. Não há como saberem quem as está ameaçando ou não", explica Moisés Kampe.

Outra ameaça para esses grupos indígenas é a destruição do habitat, algo que afeta seu suprimento de alimentos.

Desde 2014, um povo anteriormente conhecido por seu modo de vida isolado, chamado Mashco-Piro, fez várias excursões para fora de seu território.


Diretriz da Funai


O principal motivo para a permanência do mistério é que, desde o final dos anos 1980, a Funai adota uma política de não contato que encerrou décadas de encontros guiados com tribos indígenas isoladas.


"Em primeiro lugar, podemos ser muito perigosos para os indígenas simplesmente por estarmos muito próximos deles", diz Sydney Possuelo, ex-presidente da Funai, à BBC por meio de uma videochamada.


Demarcação

Os índios foram avistados de uma fazenda. Entretanto, não há informações sobre a demarcação das terras dessa tribo, mas noticia-se que há uma fazenda de onde eles foram avistados.

Na verdade, esses índios são inimputáveis, por analogia. Nenhuma legislação brasileira os protege de fato e nem há proibição de que outras pessoas se aproximem desta tribo isolada.

As fazendas avançam contra as terras indígenas e os índios sangram. É comum lermos notícias de que chefes indígenas brasileiros foram assassinados por mineradores e fazendeiros.

Ainda que indigenista, neste caso, o ‘homem branco’ levou a pior.

As autoridades constituídas se mostram cada vez mais descomprometidas com os direitos dos índios brasileiros.

Amazônia em chamas

12 países e 18 cidades da Europa sediarão do dia 17 de outubro a 20 de novembro 2020 um movimento de lideranças indígenas brasileiras que irão àquele continente para denunciar as graves violações contra os povos indígenas e o meio ambiente no Brasil. “Bolsonaro mente. Seu governo destrói o meio ambiente e explora a nossa biodiversidade”, disse Sônia Guajajara sobre o governo de Jair Bolsonaro.

Diante da crescente ameaça e dos retrocessos impostos pelo Estado aos povos originários do país, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) lançou a campanha “Sangue Indígena: nenhuma gota a mais”, com o objetivo de mobilizar a sociedade pelos direitos indígenas. “A idéia é reunir diversas atividades, organizadas pelo movimento indígena e seus apoiadores, diz Sonia Guajajara, da coordenação da APIB.

Dentre as reivindicações está a participação dos povos indígenas nas tomadas de decisão políticas sobre questões indígenas brasileiras, bem como a demarcação do território indígena pelo governo brasileiro.

Quanto mais estiver ameaçada a soberania dos povos indígenas brasileiros, maior será a luta. E eles se organizam e buscam ajuda onde ela estiver. O vaticano integra essa iniciativa Jornada Sangue Indígena de protestos e debates sobre os caminhos dos povos indígenas brasileiros na Europa.


Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), e o Opi-Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Isolados e de Recente Contato


Em nota os órgãos informaram que os “Isolados do Cautário”, são sobreviventes de massacres ocorridos em Rondônia desde os anos 1980, quando "o governo militar encampou um processo de colonização na região com a construção de estradas, forçando o contato que acarretou o extermínio de inúmeros povos indígenas da região".

"A precoce partida de um dos mais experientes sertanistas da atualidade representa uma perda irreparável para o indigenismo brasileiro, como também para todos aqueles que militam em prol dos direitos humanos e da conservação da floresta Amazônica. Sua morte revela ainda a urgente necessidade de implementação de medidas efetivas de proteção dessas populações e de seus territórios cada vez mais invadidos por posseiros, madeireiros, em uma das áreas mais vulneráveis no país".

"Além disso, alertamos para a necessidade urgente para a estruturação da Frente de Proteção Etnoambiental Uru Eu Wau Wau e a permanente vigilância dos territórios dos povos isolados da região. A morte de Rieli não pode deixar um flanco aberto para os invasores que ele sempre combateu".



Confira o vídeo abaixo:




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