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Maguito Vilela escolhe seu vice em foto que está mais para “Mãos Sujas”

Vice do candidato do MDB à prefeito de Goiânia nas próximas eleições foi anunciado no final deste domingo



Setembro 14, 2020

Rogério Cruz (Republicanos) à esquerda de Maguito Vilela (MDB)(centro), e João Campos (Republicanos) à direita de Maguito, Deputado Federal pelo Republicanos.



Por Silvana Marta


O povo é soberano. É ele o rei da urna. Ele levanta e depõe seus governantes. No Brasil, a democracia garante isso, embora o povo a tenha ameaçado conscientemente com a eleição de Bolsonaro para levantar novamente os mesmos militares que perseguiram os brasileiros e mataram em nome da lei com o golpe de 1964.

Mas essa é outra história.

Ontem 13/09, no final da tarde, foi anunciado o vice na chapa de Maguito Vilela (MDB): Rogério Cruz, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).


Rogério Cruz


Você, caro leitor, sabe quem é Rogério Cruz? Pois bem, vamos lá.

Ele é um vereador que já não seria mais vereador. Explico: a Igreja Universal já havia decidido que quem sairia candidato a vereador por Goiânia, como seu representante, seria o neto do compositor Cartola, o Pastor Cláudio (Cláudio José Pires do Nascimento), de 48 anos, radicado em Aparecida de Goiânia e que seria transferido para Goiânia para disputar mandato de vereador nas próximas eleições. Atualmente o pastor Cláudio é vereador em Aparecida e está no segundo mandato.

Vereador por Goiânia, Rogério Cruz não deveria mais ser candidato à reeleição em 2020 conforme matéria do Jornal Opção sobre o candidato do PRB, que mudou de nome para Partido Republicano Brasileiro (Republicanos). Apontado como um pastor eficiente, Rogério Cruz deveria voltar a dirigir uma das igrejas da Universal.

Se ele foi eficiente como pastor, como vereador desenvolveu um mandato pífio. Na Câmara Municipal, era conhecido como ‘o vereador da Igreja Universal’.

Agora, com a ajuda do Deputado Federal João Campos, que aliás permaneceu no PSDB de Marconi Perillo por 16 anos, até que em 2016, após os reiterados escândalos do seu partido de origem em Goiás, se filiou ao Republicanos. João Campos foi eleito Deputado Federal pela primeira vez em 2002 e está Deputado Federal até hoje. O que não se pode negar é que ele seja um velho amigo do ex-governador ‘coronel’ Marconi Perillo, derrotado nas urnas em 2018 na disputa para o Senado Federal, tendo ficado em quinto lugar dentre os candidatos a senador por Goiás.

João Campos é o representante mor da extrema direita evangélica brasileira e compõe a bancada evangélica na Câmara Federal.

Os evangélicos e a atual conjuntura política

O atual momento político está levando as pessoas a perderem a fé em políticos que carregam bandeiras religiosas.

Há um descrédito dos evangélicos, católicos, espíritas, enfim, dos religiosos, após grandes escândalos sexuais e de corrupção virem à tona.

Goiás protagoniza dois deles: o da Igreja Católica envolvendo o Padre Robson (Trindade) e o do espírita João de Deus (Abadiânia). O escândalo do padre Robson, além da acusação do desvio da vultosa quantia de 120 milhões de reais, ainda pesam sobre ele acusações de um escândalo sexual decorrente da prisão de um hacker que o extorquia mediante ameaça de divulgação de fotos íntimas dos dois.

O escândalo do médium João de Deus diz respeito à acusações de assédio sexual e estupro que teriam sido cometidos por ele, durante as sessões de cura, além da divulgação de vultosas quantias apreendidas em sua casa, bem como armamento.

No Rio de Janeiro, a Deputada Federal Flordelis está envolvida em um escândalo que abalou o mundo evangélico, onde há de tudo um pouco: sexo, orgias, incesto, rituais de purificação através do sexo, homicídio e dinheiro.

Nos Estados Unidos, um escândalo sexual envolvendo o famoso defensor do presidente Donald Trump, Falwell Jr., proeminente líder evangélico e filho do fundador da Liberty University, no Estado da Virgínia, com mais de 100 mil alunos, abalou as estruturas do poder americano como está posto. Jerry Falwell pai fundou a universidade na década de 1970, bem como o movimento conservador Moral Majority (Maioria Moral, em tradução livre). Especialistas em política garantem que a derrota de Donald Trump à reeleição para presidência é iminente.

Tendência

Por causa do descrédito nas instituições religiosas em face de recentes escândalos, a tendência é que a população em geral - incluindo os devotos (crentes, católicos e espíritas) - se afastem dos seus líderes a nível político, confirmando a famosa máxima: política e religião não se misturam.

Contra-mão

Maguito Vilela não decolou como candidato à prefeito de Goiânia, embora permaneça embolado entre os primeiros colocados. A tacada - não tão de mestre (devido aos fatos acima mencionados) - foi a escolha do líder religioso da Igreja Universal, conhecido curral eleitoral.

Maguito vai na contra-mão das tendências políticas e escolhe um líder da IURD, recentemente acusada de lavar dinheiro da corrupção na Prefeitura do Rio de Janeiro pelo Ministério Público.

No próximo dia 16, com a confirmação de Maguito na Convenção Estadual do partido como candidato no lugar de Iris Rezende (que detinha uma ampla liderança com mais de 35% de frente em relação aos demais candidatos).

Eu, como jornalista política, analiso que em tempos de pandemia, resta aguardar como o eleitor reagirá a este novo cenário - sem Iris.



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