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Maguito Vilela, suas raízes na Arena e a sabotagem ao MDB

Atualizado: Set 10

Com raízes na Arena, Maguito Vilela veio para o MDB em 1980 pelas mãos de Iris Rezende e não saiu mais



Setembro 09, 2020


Iris Rezende e Maguito Vilela na década de 80: hegemonia política em Goiás


Por Silvana Marta


Uma trajetória política vitoriosa não é para qualquer um.

Goiás agonizava nas mãos dos péssimos governadores da era da ditadura (com exceção de Leonino di Ramos Caiado que tem em seu currículo o Estádio Serra Dourada e o Autódromo Internacional Ayrton Senna), quando surgiu um fenômeno político: Iris Rezende.

Eleito em 1958 vereador por Goiânia, Iris Rezende veio para ficar. Comenta-se que em Brasília, Iris ainda hoje é uma lenda viva a transitar livremente pelos corredores do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto.

Iris chega em 2020 há seis décadas no poder e ainda trava uma luta silenciosa para continuar na política, realizando seus próprios sonhos e os sonhos de um povo que confiou nele e lhe deu poder para revolucionar, sempre. Iris protagoniza ainda nos dias de hoje uma história que mistura o sentimento de amor e ódio entre os eleitores que sempre escolhem o amor por Iris Rezende, ao reelegê-lo interminavelmente.


Trajetória política de Iris Rezende



Iris Rezende em 1965 quando foi prefeito de Goiânia


Eleito prefeito de Goiânia em 1965, Iris Rezende fez uma administração tão admirável em um momento tão pouco provável (durante a ditadura militar), que sua vocação a prefeito de Goiânia duraria até os dias de hoje, seis décadas depois de eleito pela primeira vez vereador por Goiânia.

Uma história que quase terminou em tragédia, quando foi cassado em 1969 pela ditadura militar. Por sorte, sobreviveu, e agonizou durante todo o período militar, quando, com a abertura política na década de 80 voltou eleito governador em 1982, pelos braços do povo.

Nunca mais abandonou sua vocação.

Em contrapartida, o povo de Goiás nunca o abandonou.



Trajetória política de Maguito Vilela



Maguito Vilela e Marconi Perillo: aliança velada e indissolúvel



Maguito Vilela foi eleito vereador por Jataí em 1976 e veio para o então MDB pelas mãos de Iris Rezende que formou uma ampla aliança na década de 80 para se eleger governador do Estado.

Nesta onda e de carona, Maguito, que foi eleito Deputado Estadual em 1982 pelo mesmo partido de Iris, e permanece no cenário político até hoje. Entretanto, diferente de Iris, Vilela não tem mandato. Seu filho, Daniel Vilela - também sem mandato - detém o controle do diretório estadual do partido em Goiás.

Diferentemente da carreira política de Iris Rezende, Maguito Vilela foi um político controverso, assim como na vida particular.

Flávia Teles, atual mulher de Maguito Vilela, foi casada o bilionário Valtercí de Melo, fundador do laboratório Teuto, que morreu novo, aos 58 anos de idade, vítima de um infarto fulminante. Dizem as más línguas que foi de tristeza após o também bilionário divórcio com a atual esposa de Maguito, Flávia Teles, com quem Valtercí teve uma filha.

Flávia era uma moça pobre até se casar com Valtercí de Melo.

Saiu deste relacionamento bilionária - somando-se ao seu patrimônio o de sua filha com Valtercí, que também amealhou fortuna ao herdar a parte do pai.

Maguito tem outros filhos além de Daniel Vilela. Mas os outros, ninguém nunca viu, o que aponta para uma preferência quase que doentia por seu filho Daniel.

Maguito Vilela foi e é um político controverso. A venda da hidroelétrica de Cachoeira Dourada marcaria negativamente sua vida política para sempre.

Teve uma carreira política meteórica e profícua ao lado de Iris Rezende e pelas mãos deste.

Após ter sido vereador pela Arena em 1976, Vilela veio para o então PMDB, partido pelo qual foi eleito deputado estadual (1983-1987); deputado federal constituinte (1987-1991); vice-governador de Goiás (1991-1994); governador de Goiás (1995- 1998); senador em (1998-2006); candidato derrotado ao governo do estado em 2002 no primeiro turno para Marconi Perillo; candidato derrotado no segundo turno a governador do estado em 2006; nomeado pelo ministro da fazenda Guido Mantega a vice-presidente do Banco do Brasil em 2007; eleito prefeito de Aparecida de Goiânia em 2008; reeleito em 2012; cotado novamente para a disputa ao governo de Goiás em 2014, quando deixou Iris na chapada depois de ter apoiado Jr. Friboi um mês antes das eleições. Em 2018, seu filho, Daniel Vilela, foi candidato derrotado ao pleito de governador do Estado de Goiás.

Dentre outras coisas, foi denunciado na lista de delações entregue pela Odebrecht ao STF dentro das investigações da Lava Jato. Teria recebido 1,5 milhão de reais em caixa 2 para campanha junto com seu filho.

Vilela votou favoravelmente ao mandato de cinco anos para o presidente José Sarney, à legalização do jogo do bicho, à criação de um fundo de apoio à reforma agrária, à limitação dos encargos da dívida externa, à proibição do comércio de sangue, à limitação do direito de propriedade privada, ao mandado de segurança coletiva, à proteção do emprego contra demissões sem justa causa, ao turno ininterrupto de seis horas, ao aviso prévio proporcional, ao voto aos 16 anos, ao limite de 12% ao ano de juros, à estatização do sistema financeiro e à soberania popular. Votou contra a pena de morte, a anistia aos micro e pequenos empresários, a jornada semanal de 40 horas, a pluralidade sindical, o presidencialismo e a desapropriação de propriedade produtiva. Ausentou-se das votações sobre a criminalização do aborto e rompimento de relações com países racistas.


Candidatura de Maguito Vilela à prefeitura de Goiânia 2020

Como um político com algum talento, Vilela construiu sua carreira política nas costas de Iris Rezende. Tanto que agora quer ser prefeito de Goiânia com o espólio político de Iris que segue no cargo de prefeito da Capital.

Nos bastidores, comenta-se que Maguito tem jogado pesado pela vaga. Tanto que o lançamento de Vanderlan Cardoso à prefeito de Goiânia seria apenas uma ficção - uma ameaça velada à Iris Rezende e sua candidatura à reeleição, que tem contra si neste momento dois aspectos contrários: a sua idade (86 anos) além das seis décadas de poder.

MDB dividido

Entretanto, internamente, o MDB é novamente palco de uma disputa entre ‘iristas’ e ‘maguitistas’ que se iniciou após as reiteradas derrotas de Maguito Vilela ao governo do Estado de Goiás e que teria levado o então PMDB a amargar mais de 20 anos fora do poder executivo.

Durante esse período, Maguito Vilela teria se aproximado de Marconi Perillo, que após a deflagração da Operação Monte Carlo, ficou conhecido por ser amigo do bicheiro Carlos Cachoeira em Goiás.

Daniel Vilela

Daniel Vilela, filho de Maguito Vilela, representa, em Goiás, a renovação do partido de seu pai.

Uma renovação restrita à família: de pai pra filho ou vice-versa, já que o candidato à prefeito de Goiânia no pelito 2020 deverá ser seu pai, aos 71 anos de idade.

Daniel eleito Deputado Federal em 2014 e em 2016 presidente do diretório regional do MDB numa disputa contra Nailton Oliveira, candidato ligado ao grupo do ex-governador Iris Rezende. Daniel Vilela teve 74% dos votos. Em 2018 amargou uma estrondosa derrota para governo do Estado. Em 2019 foi reeleito presidente da sigla com 138 votos.

Sem mandato


Há um ditado popular que diz: ‘rei posto, rei morto’.

Hoje os dois Vilelas, Maguito e Daniel, amargam a falta de um mandato eletivo, o que os deixa fora de qualquer jogo político.

Um político sem mandato não vale nada. Acuado pela brilhante administração de seu aliado Gustavo Mendanha em Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela segue discreto, mas não o bastante para não tentar jogar para escanteio o centenário Iris Rezende.

As manobras dos Vilelas para ficarem no poder tem se mostrado silenciosas e sorrateiras.

Nos bastidores, é sabido que Maguito teria ameaçado Rezende de travar uma disputa interna na convenção do partido, que será realizada nos próximos dias, para a vaga de candidato da legenda à eleição para prefeito da Capital.

É inegável Iris Rezende detém o coração dos goianienses, o que é garantia de voto na urna. Porém, internamente, perde para o grupo dos Vilelas.

Seria isso que estaria acuando Iris Rezende de ser candidato a prefeito de Goiânia, já que o seria de forma natural?

Na verdade, há uma anomalia nos bastidores.

A candidatura de Maguito Vilela é mais uma dessas rasteiras clássicas, porém velada, que deixará iris Rezende morrer como lenda, quando poderia morrer no poder, desempenhando uma excelente gestão para terminar seus dias com ares de missão cumprida.


Candidato Maguito Vilela à prefeito de Goiânia


Maguito Vilela já não é mais um mocinho. Ele vem candidato aos 71 anos de idade. A sua candidatura no lugar de iris Rezende se constitui em verdadeiro ‘roubo de pleito’.

Iris, 86 anos, dá lugar a Maguito Vilela, 71 anos: um velho dá passagem à outro.

Ele embarca na belíssima administração de Iris Rezende, com recapeamento de ruas e avenidas, construção de importantes viadutos e uma força de trabalho inata na altura dos seus 86 anos.

Isso ninguém pode negar.

Iris é coronel, bagre ensaboado, mas não está esclerosado, como brincamos. Está mais lúcido que nunca e o que se vê internamente é um racha partidário e uma luta sangrenta pela pleito.

Vanderlan Cardoso desponta como candidato fake à prefeitura de Goiânia pelo grupo dos Vilelas. Não vem, senão por uma manobra muito forte junto à Vilmar Rocha, coronel do PSD em Goiás e que têm Francisco Júnior como candidato natural.

Quem lançou Vanderlan Cardoso candidato foi Maguito Vilela, em uma eminente pressão contra a candidatura de Iris Rezende à reeleição.

Anotem aí: Maguito sendo confirmado candidato à prefeito da capital, Vanderlan retira sua candidatura, dando espaço para o aliado, Maguito Vilela, que foi quem o elegeu senador por Goiás, nos bastidores da política.


Novo MDB


Hoje, logo mais, às 9:00 hs, Maguito Vilela se reúne com a executiva do partido, onde detém controle absoluto, e lança sua candidatura a prefeito da capital goiana.

Não se iludam. O que Maguito protagoniza é uma silenciosa e cruel puxada de tapete contra Iris Rezende, que seria o candidato natural do partido.

A iminente (re)candidatura de Iris Rezende à prefeito de Goiânia trouxe para o MDB em torno de 10 vereadores que se filiaram vindos de outros partidos e que apostaram na reeleição de Iris Rezende. Hoje, com a possibilidade de Maguito tomar o pleito das mãos de Iris como candidato do partido à prefeitura de Goiânia, está crianda uma situação de verdadeiro desespero entre os vereadores recém filiados.

Ademais, após reiteradas derrotas para o grupo de Marconi Perillo, Maguito Vilela tornou-se, nos bastidores, o seu maior aliado.

A volta de Maguito Vilela ao poder pode significar a volta de Marconi Perillo.


Em tempo


Eu, Silvana Marta, escrevi um artigo onde fiz uma alusão ao nome de Carlos Cachoeira no título do mesmo. Fui ‘convidada’’ a lhe fazer uma visita no escritório que mantinha no Parque das Laranjeiras.

O lugar se transformava em cassino à noite.

Ao ter frequentado o escritório de Cachoeira para contornar essa situação de ‘injúria’ no artigo que escrevi, com medo de ser processada por ele (embora não houvesse margem para isso, senão pelo total controle que ele exercia sobre o judiciário goiano) percebi, por todas as vezes que adentrava ao recinto, que os carros estacionados na rua ao redor de seu escritório traziam adesivos do PTB - Partido Trabalhista Brasileiro, que tinha como coronel na época Jovair Arantes.

Mas o então Deputado Federal Jovair Arantes (PTB) protagonizou escândalos de denúncias pesadas de corrupção, formação de quadrilha e outras desse nível, que marcaram o fim de sua carreira política.

Entretanto, ele se perpetua no poder através de seu filho, Henrique Arantes, que é deputado estadual, e que foi eleito em último lugar nas últimas eleições, puxado pela legenda.

No currículo de Jovair, a tentativa de desapropriação do tradicional Quilombo Mesquita, na Cidade Ocidental, entorno de Brasília, através de uma manobra cruel e desavergonhada possivelmente de seu sobrinho Rogério Arantes, que era diretor do Incra. Este fato deu tanta repercussão negativa e causou tanta revolta ao povo brasileiro que o Incra mesmo revogou a portaria da desapropriação.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou 26 pessoas por organização criminosa com atuação junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O grupo foi acusado de fazer negociações ilícitas de registros sindicais. Entre os denunciados estão o ex-ministro do Trabalho, Helton Yomura, o então presidente do PTB, Roberto Jefferson e cinco então deputados federais - entre eles Jovair Arantes (PTB), além de servidores e ex-servidores da pasta.

Também foi alvo dessa operação deflagrada no Ministério do Trabalho, Leonardo Arantes, sobrinho de Jovair Arantes, então líder do PTB na Câmara e um dos principais controladores do loteamento de cargos na pasta.

Os fatos foram investigados na ‘Operação Registro Espúrio’ deflagrada após investigações que duraram cerca de um ano e foram iniciadas após apresentação de uma notícia-crime, em 27 de agosto de 2018.

Dois sobrinhos de Jovair Arantes foram denunciados: Rogério Arantes, que ocupava diretoria no Incra, e Leandro Arantes, então número dois no Ministério do Trabalho. Eles foram exonerados pelo então presidente Michel Temer após as denúncias de corrupção de 27 de agosto de 2018.

É apoiado por essa gente que Maguito Vilela ‘renova’ o MDB e pretende se eleger prefeito de Goiânia.

Jovair e seu filho Henrique Arantes, após os escândalos acima descritos, se filiaram ao MDB a convite dos Vilelas.


Maguito Vilela prefeito


O MDB já segue dividido, com duas alas: a irista e a maguitista.

Maguito convocou para hoje, 09/09 o anúncio de sua pré-candidatura à prefeito de Goiânia, que teria o aval de Iris Rezende que deveria chegar ao diretório estadual do partido após a reunião da executiva, marcada para às 09:00 hs.

Iris Rezende não compareceu.


De olho nos sinais



Movimento #FicaIris 2020



Está convocado para amanhã, dia 10/09, um ato #FicaIris, muito bem elaborado, com a devida organização e tudo mais.

A família de Iris está dividida sobre a sua candidatura e jogam para a médica Adriana Rezende, filha de Iris Rezende, a responsabilidade pela sua decisão de não se candidatar à reeleição. Adriana estaria protagonizando um gesto de proteção ao pai, dada a idade avançada de Rezende.

Se não for candidato, Maguito tira de Iris a possibilidade de fechar sua trajetória política com chave de ouro, e muda, para sempre, os rumos da política em Goiás.


Triste fim de Iris Rezende! Pobre povo de Goiás.


*Silvana Marta de Paula Silva

Advogada e jornalista


Texto intelectual protegido pela Lei dos Direitos Autorais (9.610/98). Este conteúdo pode ser republicado, desde que cite a fonte e autoria


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