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O pecado no Tribunal de Justiça de Goiás

Trancamento da ação contra Afipe do Peadre Robson talvez seja a prova de que o TJ/Go seja o mais corrupto do Brasil. MP/Go promete recorrer



Outubro 8, 2020

Valor movimentado nas contas da Associação Filhos do Pai Eterno, na última década, chega a R$ 2 bilhões. MP investiga gasto de R$ 120 milhões com bens não ligados a atividades religiosas.



Por Silvana Marta


A suposta organização criminosa do Padre Robson vai além dos desvios de dinheiro da Associação dos Filhos do Pai Eterno presidida pelo pároco. Ela é complexa e atuava com a ajuda de empresas aliciadas pela instituição, ou seja, a Afipe supostamente induziu muitos ao ‘pecado’.


O Ministério Público de Goiás (MP-GO) informou nesta quarta-feira (7) que vai recorrer às instâncias cabíveis dentro do sistema Judiciário contra a decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) que trancou a ação que investigava o padre Robson de Oliveira e as movimentações financeiras nas contas da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), entidade fundada pelo sacerdote e responsável pela administração do Santuário Basílica de Trindade.


A decisão do TJ-GO paralisou o processo do MP-GO, na terça-feira (6), por meio de um habeas corpus concedido em favor do padre, o que obriga os promotores a interromperem a investigação sobre o suposto desvio de R$ 120 milhões do dinheiro doado por fiéis. Com esse montante exposto, o Tribunal de Goiás pode até trancar a ação penal que é movida pela Associação do Pe Robson, mas o fato está exposto. Ninguém no Brasil acredita mais na inocência do padre, ainda mais quando sabe-se que houve extorsão por causa de casos amorosos em que o celibatário estaria envolvido.


Caso Padre Robson


Casa de praia avaliada em 3 milhões em Guarajuba


Não está muito claro se a casa de praia de Guarajuba (BA) está em nome do Padre Robson ou da Afipe, o que sugestionaria que quem fosse associado teria direito à alguns dias de férias nesse cenário paradisíaco ao sul da Bahia.


Aos 46 anos, o padre se envolveu na investigação sobre movimentação financeira de recursos doados por fiéis. Está em curso no Ministério Público de Goiás (MP) uma apuração acerca de compras de imóveis não ligados à atividade religiosa com dinheiro de devotos. O padre é suspeito de apropriação indébita, falsificação de documentos, sonegação fiscal, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Entre os bens luxuosos com o dinheiro da entidade estão uma fazenda no valor de R$ 6,3 milhões em Abadiânia e uma casa de praia de Guarajuba (BA) no valor de R$ 3 milhões.


De celebridade a investigado


De celebridade religiosa a investigado pelo Ministério Público de Goiás por suspeita de desvio de R$ 120 milhões doados por fiéis, padre Robson de Oliveira Pereira nega as irregularidades e está afastado, por iniciativa própria, das atividades na Igreja Católica durante a apuração. Antes, ele era responsável por organizar a Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, considerada a maior do mundo em devoção à Santíssima Trindade e que atrai, todos os anos, cerca de 3 milhões de fiéis.


"Constatou-se que os gastos de boa parte das doações não tinha vínculo com questões religiosas, mas com outros negócios, como a compra de imóveis, propriedades rurais, cabeças de gado e emissoras de rádio", disse o MP.


Os hackers e a extorsão


Momento da entrega do dinheiro aos chantagistas do Padre Robson


Segundo processo, pároco foi alvo de 5 extorsões e chegou a passar R$ 2,9 milhões da Afipe ao criminoso, o que deu início à investigação sobre desvio do dinheiro de doações. Defesa do padre nega irregularidades e diz que conteúdo usado para chantagem era falso.


Hacker que extorquiu dinheiro de Padre Robson tinha um romance com ele e ameaçava expor casos.


A decisão do magistrado traz um segundo romance usado no esquema de chantagem. É com uma mulher, o que atesta que o padre seja bissexual.

A bissexualidade é uma orientação sexual caracterizada pela capacidade de atração, seja sexual ou romântica, por mais de um sexo.

Em depoimentos ao Ministério Público, um policial civil que estava na investigação e uma pessoa próxima ao padre disseram que os hackers encontraram uma foto dele com uma mulher, também do círculo de amizade do pároco, e uma conversa relatando situações amorosas.

Em depoimento ao Ministério Público de Goiás, o padre Robson admitiu que fez repasses aos chantagistas sem o monitoramento da polícia, que acompanhava o caso. Uma funcionária da Afipe chegou a levar maços de dinheiro, que eram deixados em um carro parado num shopping de Goiânia, para pagar pelo silêncio dos hackers.


A condenação dos hackers

Hacker Welton Ferreira Nenues Junior preso por extorsão


Foram condenados o hacker, identificado como Welton Ferreira Nunes Júnior e mais quatro pessoas envolvidas no esquema de chantagem com penas que variam de 9 a 16 anos de prisão, em 2019.

Welton já havia sido preso em 2016, envolvido em roubo de gado. Segundo a polícia, o hacker vivia uma vida de luxo com patrimônio avaliado em R$ 6 milhões.

Além do policial militar aposentado, um policial civil também estava envolvido no caso do padre Robson.

Entretanto, o Código penal define penas menores do que as das condenações dos hackers do Padre Robson.

Código Penal, artigo 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

Verifica-se que as condenações contra os hackers do Padre Robson foram muito mais severas do que a previsão penal para o crime, conforme se extrai do Código Penal acima citado.

A força das instituições Tribunal de Justiça e Igreja Católica em Goiás

O trancamento da ação penal contra o padre Robson e a severidade das penas impostas aos criminosos que extorquiram o pároco demonstram como o Tribunal de Justiça de Goiás e a igreja Católica do estado estão articulados e alinhados. A corporação TJ/Go e Igreja Católica se blindam e expõe como impera no estado a corrupção.

Também impressionam o número de casos envolvendo entidades religiosas, alvos de investigação pelos mais variados crimes no estado, como o caso João de Deus, espírita de Abadiânia.

No caso Padre Robson, tudo indica que o MP/Go precisará de um esforço cinematográfico para que o padre seja atingido e penalizado pelos crimes que cometeu. Aliás, os hackers foram condenados e estão presos. Mas contra o padre Robson, nenhuma penalidade lhe foi imposta pela Igreja Católica, já que houve desvio de função moral, quando ficou provado que o padre era se tinha envolvimento amorosos ainda que tenha jurado celibato para se consagrar padre. Ademais, há indícios de que festas e sexo coletivo aconteciam na casa do padre Robson. Entretanto, não houve por parte da Igreja Católica nenhum tipo de punição ao padre em função de seus relacionamentos amorosos com bandidos e fiéis.

A pergunta que não quer calar: quem seria essa mulher com envolvimento amoroso com o Padre Robson de Oliveira?

"Observa-se que os acusados foram responsáveis por transmitir as ameaças à pessoa da vítima [Robson], por meio de mensagens em aplicativos e e-mails. Nessas, disseram os acusados que a vítima possuiria relacionamento amoroso com diversas pessoas, inclusive com o próprio Welton", diz o magistrado no processo.

O Ministério Público reforçou em nota que as provas apresentadas no processo são legais e que investiga não só o padre Robson, mas todas as empresas envolvidas no suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro (leia a nota na íntegra ao final).

A nota diz ainda que o MP tem a atribuição de fiscalizar atividades de empresas privadas, especialmente quando há indícios de irregularidades.

Hoje, o que está em pauta é o trancamento da ação penal proposta pelo Mp/Go apesar de robustas as provas apresentadas.

Vergonha para o Tribunal de Justiça de Goiás, que passa a ser conhecido por todo o Brasil como o mais corrupto do país, e por aparentar ser o mais corporativista junto às forças criminosas poderosas que por aqui atuam,, incluindo a Igreja Católica goiana, se assim ficar provado.

Nota do Ministério Público de Goiás

Diante do reconhecimento da atipicidade da conduta em sede do habeas corpus pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), que se mostra inusitado, o MP informa que irá recorrer às instâncias cabíveis, no firme entendimento que a decisão desbordou dos estreitos limites do habeas corpus.

A instituição reforça a licitude da provas colhidas durante a investigação, trancada pela 1ª Câmara Criminal do TJGO, e que o trabalho do Gaeco é desenvolvido com total responsabilidade e dentro da legalidade das iniciativas, que visam, no caso em questão, apurar os crimes de organização criminosa, apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsidades ideológicas e crimes tributários.

Informa ainda que a investigação não está limitada à conduta praticada pelo padre Robson Pereira de Oliveira na direção das Afipes, mas também em relação as empresas já citadas no processo.

Além disso, o Ministério Público tem atribuição de fiscalizar as atividades do terceiro setor, o que inclui as associações, em especial quando são comunicados elementos que apontem para a ocorrência de atos que comprometam o idôneo funcionamento da entidade, como é o caso em questão. E a investigação apurou irregularidades na conduta da diretoria das Afipes, tais como a falta de transparência na aplicação dos recursos dos doadores.


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