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O que está em jogo nas eleições para prefeitura de Goiânia é o governo do Estado em 2022


Setembro 07, 2020



Iris Rezende e Ronaldo Caiado articulam juntos a eleição municipal de 2022


Por Silvana Marta


Descobriram que o governador Ronaldo Caiado é um grande articulador político. De fato, mas não é de hoje.

Em 1998, foi Caiado que fez do então Deputado Estadual e aspirante a político, Marconi Perillo, governador do Estado de Goiás. Um jovem cheio de ambições e pequenos delitos.

Já naquela época, Perillo era um reiterado emissor de cheques sem fundos. Entretanto, este fato foi ignorado pelos políticos goianos que o elegeram governador na altura dos seus ínfimos 35 anos de idade.

Em uma análise tranquila e sem emoções ou distorções, quem entende de política sabe que quem elegeu Perillo governador do estado de Goiás foi o então deputado federal Ronaldo Caiado, já à época exímio articulador político e que liderou uma frente ampla de políticos de peso para derrotar o então ‘coronel’ Iris Rezende ao governo do estado, que até então, gozava da liderança hegemônica isolada na política goiana.

Deu certo.

Iris Rezende, pelas mãos de Ronaldo Caiado, foi derrotado e nunca mais voltaria a ocupar tal cadeira.

Mas não foi um jogo simples.

Para isso, Caiado se valeu de Siqueira Campos, a quem deu apoio incondicional para cortar o Estado de Goiás no meio e fundar o cobiçado Estado do Tocantins - que hoje - não significa nada no cenário nacional e não passa de um antro de corrupção de desavergonhados caciques do norte do ex-estado de Goiás, reduto eleitoral de um punhado de cabras safados.

É isso mesmo.

No jogo político, vale até dividir um estado ao meio para que a hegemonia política de um coronel seja destruída.

Siqueira Campos foi requerido por Caiado, após a divisão do estado, para apoiá-lo a eleger Perillo governador.

Marconi Perillo não era nada, e até hoje não o é politicamente. Prova disso é que bastou Caiado romper com ele em 2010 para que o mundo de Marconi Perillo desabasse.

Foi de Caiado a indicação do vice de Perillo, José Éliton, em 2009. Caiado foi quem criou o também político insignificante e sem talento José Éliton, que acabou se tornando governador de Goiás quando Marconi Perillo deixou o posto para tentar a senatória em 2018, ocasião em que amargou uma derrota vergonhosa.

Perdeu!

Foi esse tal de José Éliton que protagonizou um dos maiores espetáculos de traição política jamais vistos em Goiás. O vulgo ‘Zé Ninguém’, logo após outra derrota de Iris Rezende ao pleito de governador para Marconi Perillo em 2010, meteu o pé na bunda de Ronaldo Caiado, então Deputado Federal, tendo deixado o partido que o levou à vice-governadoria, o DEM (de Caiado), para se filiar ao PSDB, um dia após a sua posse como vice-governador, num recado claro ao 'coronel' Caiado: vaza!

Naquele momento o grupo de Marconi Perillo havia assinado sua sentença de despejo do Palácio das Esmeraldas.

Ronaldo Caiado re(começou) então uma dura saga para se tornar senador por Goiás, e posteriormente, governador.

Com o desprestígio do PT e com a deposição de Dilma Rousseff da presidência da república (que teve muita influência do então senador Ronaldo Caiado, diga-se de passagem), ele fez sua primeira e antecipada aliança com o poderoso curral eleitoral da Assembleia de Deus de Campinas, Ministério Madureira, junto ao bispo Oídes José do Carmo.

A conserto de peso deu ao irmão do bispo Oídes do Carmo, Luiz do Carmo (hoje MDB), a vaga de suplente de senador já na expectativa de que este assumiria como senador, caso o projeto de governo de Caiado desse certo.

E deu.

Apesar da tacada de mestre, os votos ainda eram insuficientes para Caiado minar o poderoso império que ele mesmo construiu em torno de Marconi Perillo.

Na então disputa pelo Senado Federal em 2014, Vilmar Rocha (PSD) era o candidato de Perillo à vaga de senador e disputou o pleito voto a voto.

Quem participou da campanha sabe que com mais 15 dias, Rocha teria sido eleito para o cargo.

Entretanto, ninguém esperava a aliança entre Ronaldo Caiado e Iris Rezende, que foi construída um mês antes das eleições e que deu a Caiado os votos que lhe faltavam para se eleger Senador.


Aliança Iris x Caiado


A aliança Iris x Caiado veio do troco que Iris deu nos Vilelas, que naquele ano, o destituíram da liderança da executiva estadual do MDB Goiás.

Maguito e Daniel Vilela deram um ‘golpe de mestre’ no endinheirado Jr. Friboi, quando o iludiram que poderia ser governador do Estado pelo MDB em 2010. Na verdade, Friboi apenas foi usado pelos Vilelas para consolidar o grupo ‘maguitista’ através da compra de votos dos diretórios do interior do estado, derrotando internamente, Iris Rezende.

Deu certo.

Mas Iris deu o troco através do pulo do gato que o desvencilhou das garras dos Vilelas, ao eleger, com a transferência de votos pessoais, Caiado Senador, numa jogada de mestre.


Em tempo


Por trás desta aliança, eu, Silvana Marta, advogada e jornalista, insignificante politicamente, embora brilhante articuladora política. Esta aliança custou a minha dignidade, já que todos os envolvidos, na ânsia de assumirem a autoria do ato que mudaria para sempre os destinos do nosso estado, não pouparam cenas de desprezo e assédio moral contra a minha pessoa.


Aliança Indissolúvel


É em torno desta aliança indissolúvel firmada entre Caiado e Iris Rezende que se desenha o atual cenário político para a eleição municipal de Goiânia.

Aqui em Goiás não há espaço para amadores como João Dória, por exemplo, governador de São Paulo. Pelo contrário, a política goiana se desenrola entre caciques políticos e líderes econômicos.

É por isso que as eleições municipais possuem grande importância, pois elas definirão a eleição do próximo governador do estado.

Iris Rezende deve ter hoje quase 70% das intenções de votos para a prefeitura de Goiânia, e sua reeleição, embora a maioria dos mortais e a imprensa em geral considere que ele não seja candidato em razão de sua recente declaração de aposentadoria (dentre muitas outras já feitas), não está dada como certa.

Todos desprezam seus discursos e atitudes do passado, quando chegou a ‘assinar uma declaração em cartório’ afirmando que não seria mais candidato.

A emoção está precedendo a razão dos líderes políticos e imprensa goiana em geral.


Iris Rezende - MDB


Com essa envergadura eleitoral, Iris Rezende, 'coronel' da política goiana e nacional, não deverá entregar a prefeitura de Goiânia de mãos beijadas a quem quer que seja. Iris, com toda sua experiência, jamais cometeria o mesmo erro que deixaria Lula fora da política para sempre, qual seja o não retorno ao cenário político atempadamente, deixando nas mãos de um desconhecido ou alguém fora do seu staff, os destinos da política de Goiás, quando está praticamente eleito prefeito do município.


Vanderlan Cardoso - PSD


Quem acha que Vanderlan Cardoso vem forte para disputar o pleito para a prefeitura de Goiânia, se engana.

Ele hoje pertence ao PSD, mesmo partido da indiciada como assassina Flordelis, Deputada Federal que protagoniza, neste momento, o maior escândalo do mundo evangélico no país, quando sua história desvendada traz um enredo de poder, sexo, orgias, incestos, homicídio, aliciação de menores, pedofilia e tudo mais no mais alto grau de podridão - fato este que abalará as estruturas políticas do mundo evangélico como está posto para sempre.

Ademais, a candidatura de Vanderlan Cardoso à prefeitura de Goiânia esbarra em Francisco Jr., o queridinho do 'coronel' Vilmar Rocha, que detém o poder total do PSD em Goiás e é quem irá decidir qual será o candidato do seu partido à prefeitura de Goiânia.

Vanderlan Cardoso aposta no desgaste do padre Robson Pereira, que foi alvo recente de operação da Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) e que desvendou um cenário semelhante ao da Deputada Flordelis, onde no enredo há chantagem, relacionamentos amorosos homossexuais e desvio de dinheiro na ordem de 120 milhões de reais, além da exposição do movimento de 2 bilhões de reais pela Ordem Redentorista trindadense de Goiás, para afastar o outro aspirante de seu partido à prefeito da capital, Francisco Jr.

Francisco Jr. seria o candidato da Ordem Redentorista de Goiás, hoje abalada por este escândalo também sem precedentes na Igreja Católica brasileira.

Menos, gente!

O mar não está para peixe para esses dois pré-candidatos à prefeitura de Goiânia: um representante do mundo evangélico e o outro representante de da igreja católica.


Maguito Vilela


Quem está apostando em uma possível aliança entre os Vilelas e o consolidado grupo de Iris Rezende x Ronaldo Caiado, está enganado.

Se Maguito vier candidato do MDB a prefeito de Goiânia, ele vem para dar a seu filho, Daniel Vilela, o governo do Estado em 2022, ameaçando a liderança política de Ronaldo Caiado.

Sem mais.


Conclusão


Iris não pode deixar o poder sob pena de provocar um estrago insanável em sua própria trajetória política e mergulhar no ostracismo para sempre.

Iris Rezende não é homem para isso.

O silêncio momentâneo revela que as articulações nos bastidores avançam a todo vapor, e que Iris e Caiado não errarão, qualquer que seja a decisão que tomarem.


*Silvana Marta de Paula Silva

Advogada e jornalista


Texto intelectual protegido pela Lei dos Direitos Autorais (9.610/98). Este conteúdo pode ser republicado, desde que cite a fonte e autoria


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