• Silvana Marta de Paula Silva

Racha sob comando de Daniel Vilela deixa MDB ainda mais enfraquecido

Atualizado: Abr 12

Daniel admitiu em entrevista ao O Popular que a saída do secretariado do Paço Municipal não contou com a aprovação de boa parte dos emedebistas, o que oficializa que o partido está rachado


Abril 11, 2021

Daniel vilela, presidente estadual do MDB Goiás, admite 'racha' no partido



Silvana Marta



O racha no MDB sob a administração dos Vilelas não é nenhuma novidade desde as eleições de 1998, quando o partido perdeu a governadoria para Marconi Perillo. Foi o primeiro racha, embora o partido este nunca tenha admitido oficialmente. Entretanto, este quadro veio se agravando cada vez mais.

O segundo racha oficial foi em 2018, quando o então senador Ronaldo Caiado foi eleito governador do Estado de Goiás.

Em 2014, quando ele foi eleito senador, o partido estava coeso e havia sofrido um duro golpe com a desistência às vésperas da eleição do candidato oficial do partido, Jr. Friboi. Dizem que Friboi 'traiu' o partido ao ter feito um acordo bilionário com o então governador Marconi Perillo, ao conseguir a redução da dívida do ICMS do grupo Friboi no estado, que era de 1,6 bilhões e caiu para 370 milhões.

Perdeu o MDB e também o estado de Goiás, que arrecadou em impostos muito menos do que deveria.

Naquele ano (2014), Caiado fez uma aliança inesperada com o partido e se elegeu senador da República, com a transferência de votos emedebistas liderada por Iris Rezende.

Em 2016 Caiado retribuiu o favor e ajudou a eleger Iris Rezende prefeito da Capital.

Em 2018, o partido seguiu a ordem natural dos acordos firmados anteriormente, que incluía o apoio do MDB ao então senador Ronaldo Caiado, agora candidato a governador. Caiado convidou Daniel Vilela para ser seu vice numa chapa DEM/MDB, o que foi rechaçado veementemente pelo garoto, então na faixa dos 35 anos.

Pelo andar da carruagem, o plano dos Vilelas era eleger Maguito prefeito de Goiânia, e então partir para cima do DEM em 2022, agora com uma chapa de oposição ao governo estadual, e então, lançar Daniel Vilela governador.


Aborto


Os planos foram abortados com a morte de Maguito Vilela, pai de Daniel, vítima da Covid19 em 13 de janeiro de 2021.


Erros


O terceiro erro cometido pela liderança estadual do MDB foi a não aceitação de Daniel Vilela como vice na chapa de Ronaldo Caiado. Isso provocou uma profunda insatisfação no partido, que desembarcou sozinho e rachado na administração estadual. Sem dizer que hoje Daniel seria vice-governador, tendo muitos mais cargos à disposição do partido na esfera estadual.

De igual modo, o desembarque dos correligionários de primeiro escalão da prefeitura de Goiânia, já tido como o quarto erro ou racha, causou uma profunda insatisfação no partido, pois, não se trata apenas dos secretários, mas dos aliados agasalhados na administração municipal. Ao deixar o cargo, o secretário coloca automaticamente à disposição os cargos ocupados pelos correligionários, e a liderança partidária que ajudou a eleger o prefeito fica desguarnecida.

É o que está acontecendo neste exato momento. Centenas de cargos estão à disposição de quem de fato apoia o prefeito Rogério Cruz.

Neste caso, a dança das cadeiras está acontecendo a todo vapor principalmente entre os vereadores de outros partidos que estão selando alianças com o novo prefeito e emplacando seus aliados em cargos comissionados.


Golpe


O quinto erro foi tentar emplacar um secretariado maguitista, sendo que o agora prefeito não seria mais Maguito Vilela, mas Rogério Cruz. A posse de Maguito pode ser vista como um golpe contra a ordem jurídica que diz que à falta do primeiro eleito o vice assume. Assim Maguito deveria ter tomado posse como prefeito provisório. Não foi o que aconteceu. Maguito tomou posse supostamente morto, segundo dizem muitos, uma vez que o partido MDB está sendo acusado de pressionar o Hospital Albert Einstein a produzir um laudo escorregado que atestou a possibilidade dele ter dado o consentimento para assumir a prefeitura de Goiânia. É fato que não deu, pois a posse sequer pode ser filmada. Assim o MDB ganhou tempo, emplacou secretários numa tentativa de fazer com que Maguito Vilela continuasse a governar depois de morto.


Contra-golpe


Prefeito Rogério Cruz diz que vai retirar foto de Maguito após pedido de Flávia Teles



Novamente não deu certo, pois agora Rogério Cruz está dando o contra-golpe, tentando viabilizar sua administração. Rogério está cumprindo sua função constitucional, mas o inconformismo com a morte de Maguito pelo filho e esposa soam muito mal.

Flávia Teles, viúva de Maguito, publicou em suas redes sociais ofensas pesadas ao prefeito Rogério Cruz dizendo que ele “não é digno da memória e do nome de Maguito (...)” além de dizer que “Rogério não representa mais o projeto que meu marido sonhou para Goiânia”. Ela chegou ao ponto de “pedir publicamente que Rogério Cruz retirasse do seu gabinete a foto de Maguito sob a alegação de que "Rogério não honra e não é digno do nome e da memória de Maguito", disparou a viúva em uma carta aberta publicada na última sexta-feira (9).

Isso caberia à Flávia Teles um processo por injúria, já que Rogério Cruz jamais desonrou a memória do finado.

O filho, Daniel Vilela, por sua vez, disse em uma entrevista no mesmo dia (9) que "Rogério Cruz não estava à altura do cargo", o que também se demonstra muito injurioso, já que ele serviu para ser vice de Maguito, trazendo consigo os votos da Igreja Universal que foram decisivos para a eleição deste, diante de uma eleição muito acirrada. Os votos da igreja se constituíram no desempate.

Não bastou. Daniel Vilela levou o partido a um sexto racha, qual seja o desembarque de 15 secretarias da Prefeitura Municipal, abrindo vagas para serem ocupadas pelos partidos que declaram apoio ao prefeito.


Racha


Muito criticado, o líder do emedebista em Goiás Daniel Vilela admitiu pela primeira vez o racha no partido em entrevista dia 10/04, além do que afirmou que o rompimento com a prefeitura não foi uma decisão partidária, o que não corresponde à verdade. A reunião de desembarque aconteceu no Diretório Estadual do MDB na tarde de domingo (4) e o racha aconteceu sob protestos, o que já apontava para a não unanimidade partidária da decisão.

Ao que tudo indica, Daniel está conduzindo seu partido à extinção no Estado de Goiás. O que estamos vendo é a destruição do MDB.

Entretanto, essa destruição começou em 1998, diga-se de passagem, quando Maguito inaugurou no partido uma ala para chamar de sua, em contraposição à liderança de Iris Rezende.

De lá para cá o partido nunca mais foi o mesmo, e pelo jeito nunca mais será.

Agora, é preciso chamar o partido à ordem, antes que não reste mais nada, como aconteceu com o PSDB goiano sob a liderança de Marconi Perillo.


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